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33ª Semana do Migrante: A vida é feita de encontros

Atividades em Belo Horizonte e Região Metropolitana visam mobilizar a sociedade civil e o poder público para a garantia dos direitos e da dignidade das pessoas em situação de migração e refúgio.

O Papa Francisco tem frisado, em várias ocasiões, uma clara mensagem de fraternidade e de tolerância para com outras culturas e religiões: “Os imigrantes não são um perigo, estão em perigo”. Para partilhar a vida com migrantes e refugiados que vivem em Belo Horizonte e Região Metropolitana, bem como refletir sobre os fluxos migratórios em uma perspectiva global e local, será realizada a 33ª Semana do Migrante. Com o tema “A vida é feita de encontros”, a Semana promoverá atividades entres os dias 24 a 30 de junho, na capital mineira e região.

A 33ª Semana do Migrante terá início com uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, em Belo Horizonte, no dia 24, às 11 horas. No dia 29, será promovida uma roda de conversa sobre Migração e Refúgio, às 19 horas, na Escola Superior Dom Hélder Câmara, também em Belo Horizonte. A atividade contará com a participação do bispo auxiliar da Arquidiocese, Dom Otacílio Ferreira de Lacerda; do vigário episcopal do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política, Padre Júlio César Amaral; o haitiano Georges Phanel; do secretário da Cáritas Regional Minas Gerais, Rodrigo Pires; do diretor do Serviços Jesuíta a Migrantes e Refugiados, Padre Agnaldo Junior e do coordenador do setor de proteção legal da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, Wiliam Laureano.

As atividades da 33ª Semana do Migrante serão encerradas com uma Manhã de Cidadania com Migrantes e Refugiados, no dia 30, de 9h às 14h, no Parque Ecológico do Eldorado, em Contagem. Reunindo migrantes e refugiados haitianos, congoleses, peruanos, colombianos, entre outros que vivem em BH e região, a Manhã de Cidadania contará com feira de alimentos e artesanatos, palco aberto para apresentações culturais, além da oferta de serviços públicos e gratuitos relacionados à saúde, emissão de documentos, educação e lazer.

A 33ª Semana do Migrante é realizada pelo Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte, pela Cáritas Regional Minas Gerais, pelo Serviços Jesuíta a Migrantes e Refugiados e pelo Serviço Pastoral dos Migrantes. Participam também da organização da Semana a associação de haitianas Kore Aytian e o coletivo de mulheres migrantes Cio da Terra.

Braços abertos sem medo para acolher

De acordo com a Organização das Nações Unidas, 244 milhões de pessoas em todo o mundo vivem como migrantes internacionais, deste total 22,5 milhões são refugiados, o que representa cerca de 8% do contingente de todos os migrantes internacionais. Os refugiados são pessoas que saem involuntariamente do próprio país devido a perseguições, grave e generalizada violação de direitos humanos, guerras e outros motivos. Eles são amparados por instrumentos internacionais de proteção que garantem direitos fundamentais, entre os quais a não devolução ao país de origem.

O relatório Tendências Globais (2016) do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) apresenta, em certa medida, o tamanho do desafio que precisa ser enfrentado por governos e sociedade civil em relação à questão migratória em todo o mundo. Para cada grupo de 113 pessoas no planeta, uma é solicitante de refúgio e quatro são migrantes internacionais ou deslocados internos. 173 milhões de refugiados se deslocam por causa de guerras e conflitos, o número já supera, por exemplo, os deslocamentos provocados no contexto da 2ª Guerra Mundial. Diante do número total de migrantes no mundo, 13% são latino-americanos.

A Região Metropolitana de Belo Horizonte vem contando, nos últimos anos, com um expressivo fluxo imigratório, em sua maior parte, de haitianos. Estudos realizados nos anos de 2010 e 2011, apresentam uma estimativa de cerca 3 mil migrantes dessa nacionalidade, número que, no ano de 2015, segundo o Governo de Minas Gerias, já alcançava a casa dos 5 mil.

Buscando minimizar os impactos negativos da mudança de país, muitas vezes emergencial e forçada, o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados de Belo Horizonte (SJMR) busca servir, acompanhar e defender os migrantes, solicitantes de refúgio e refugiados que residem em Minas Gerais. Entre os serviços oferecidos, estão prestação de informações sobre regularização migratória, suporte para obtenção de documentos (RNE, carteira de trabalho, CPF, passaporte), elaboração de carta para solicitação de reunião familiar, assessoria jurídica, preparação para o mercado de trabalho, encaminhamento a programas sociais e serviços socioassistenciais públicos, acompanhamento sociofamiliar e psicológico, ensino da Língua Portuguesa para estrangeiros e distribuição de roupas. No ano de 2016 e 2017, a organização realizou cerca de 13.000 atendimentos (média de 6.500 por ano). Em 2018, a estimativa, de janeiro até a maio é de 1.700 atendimentos, em sua quase totalidade, de haitianos.

Orientados pelas palavras do Papa Francisco para acolher, proteger, promover e integrar os povos que migram ou buscam refúgio no Brasil e no mundo, a 33ª Semana do Migrante visa mobilizar a sociedade civil e o poder público para a garantia dos direitos e da dignidade das pessoas em situação de migração e refúgio.

Compartilhe a viagem

A Cáritas Internacional realiza uma campanha de mobilização mundial a cada quatro anos. Após a escuta de toda a rede mundial da Cáritas e um olhar dirigido às principais feridas da humanidade hoje, desta vez a temática escolhida foi a questão dos imigrantes e refugiados.

Durante os anos de 2017 a 2019, a campanha Compartilhe a Viagem busca promover a “cultura do encontro”, aumentando os espaços e as oportunidades para que os imigrantes e as comunidades locais se encontrem e tenham uma troca de experiências. A falta de “encontros positivos” com o outro foi identificada como uma questão chave para a criação de uma nova narrativa e promoção de um diálogo positivo sobre as questões do fluxo migratório no mundo.

Com a campanha Compartilhe a Viagem, a Cáritas assume de forma ainda mais comprometida a sua identidade como uma família mundial, que encoraja as pessoas a refletir, aproximando imigrantes, refugiados e comunidades com o objetivo de mudar corações e mentalidades.

Saiba AQUI mais sobre a campanha Compartilhe a Viagem.

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