Notícias

Atingidos pela barragem da Samarco denunciam violações de direitos em viagem a Londres

Comitiva de atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão viaja a Londres para denunciar o crime das mineradoras Samarco, Vale e BHP e a Fundação Renova. Durante as atividades, a comitiva divulgou carta reivindicando a garantia da reparação justa e integral aos atingidos de toda a Bacia do Rio Doce.

“Que a tragédia jamais seja esquecida e sirva de exemplo para que outras não aconteçam”. A fala de Mauro Marcos da Silva, atingido de Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG), expressa uma das principais questões levadas a Londres durante a viagem de denúncia das violações de direitos sofridos ao longo de toda a bacia do Rio Doce e no litoral.

Entre os dias 5 e 10 de novembro, uma comitiva composta por 5 atingidos e acompanhada por uma assessora técnica da Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais esteve em Londres com agenda intensa de reuniões com acionistas da BHP Billiton, ONGs internacionais, parlamentares britânicos e veículos de imprensa. A cada encontro, os atingidos entregaram uma carta de reivindicações, além de um documento com o histórico do desastre e denúncias às mineradoras responsáveis pelo crime (Samarco, Vale e BHP) e à Fundação Renova.

Leia AQUI a carta de reivindicações dos atingidos entregue durante as reuniões da viagem à Londres.

 A carta demonstra as várias frentes de luta dos atingidos e atingidas na exigência por reparação justa e integral dos danos causados pelas mineradoras. Entre as demandas, estão as medidas de não-repetição que envolvem intimamente o modelo de mineração adotado no Brasil e no mundo. “Precisamos construir, a nível mundial, parâmetros não apenas pela responsabilização deste caso em curso, mas balizas que orientem a ação de corporações extrativistas globais”, é uma das reivindicações na carta.

Pouco foi feito nestes três anos do crime, isso porque até agora o que se tem são medidas mitigatórias, ou seja, ações emergenciais para garantir a sobrevivência das pessoas atingidas, como o auxílio emergencial para quem perdeu renda.

Nicole Piché, coordenadora da Frente Parlamentar de Direitos Humanos do Parlamento inglês, lamenta a morosidade do processo de reparação. “Foi um grande prazer estar com os atingidos pelo desastre da Barragem de Fundão, da mineradora Samarco, mas fiquei triste em saber que o processo de reparação ainda é lento. Sugiro que os atingidos continuem investindo em ações internacionais para angariar apoio para a causa, assim podemos dar mais visibilidade ao problema”.

Para Ana Paula Alves, coordenadora geral do processo de cadastramento conduzido pela Cáritas em Mariana, a viagem foi capaz de dar a visibilidade necessária para a pauta dos atingidos. “Fomos denunciar internacionalmente a atuação das mineradoras, sobretudo da BHP que é uma das controladoras da Samarco, lá no seu território, onde é a sede da empresa. Dizer para os acionistas como é a empresa que eles estão financiando. A viagem a Londres foi também um anúncio de que os atingidos estão lutando! Foi um momento de denúncia da situação”.

Participaram da comitiva, Mônica Santos, atingida de Bento Rodrigues, Mauro Marcos da Silva, atingido de Bento Rodrigues; Romeu Geraldo, atingido de Paracatu de Baixo; Douglas Krenak, representante das comunidades tradicionais e povos indígenas da Bacia do Rio Doce e Joice Miranda, atingida de Barra do Riacho, Aracruz (ES); além da assessora da Cáritas, Ana Paula Alves e da consultora Letícia Aleixo. A ação teve o apoio da Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais, da Fundação Ford e do Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

.