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Cardeal Tagle indica a cultura do encontro como contraponto à crise migratória

A conferência de abertura do Seminário Internacional de Migrações e Refúgio, conduzida pelo presidente da Cáritas Internationalis, Cardeal Antonio Tagle, foi marcada por uma reflexão sobre a Cultura do Encontro diante dos desafios da mobilidade humana internacional. Esse momento foi realizado, na tarde dessa terça-feira (12), no auditório do Centro Cultural Brasília que reuniu migrantes, refugiados, agentes Cáritas e representantes de outras organizações envolvidas na temática.

O arcebispo de Manila, nas Filipinas, também abordou o contexto atual das migrações, explicitando, como causas desse processo, o sistema mercantil que tem prevalecido sobre a valorização humana e provocam a exclusão social e o individualismo, situação que ganha forma social no etnocentrismo, na xenofobia nacionalista, nas discriminações racial e religiosa. “Precisamos nos perguntar se o crescimento econômico que exclui a maior parte da humanidade é crescimento genuíno ou injustiça legitimada. Os pobres desaparecem como seres humanos em um sistema econômico injusto”, salientou.

Esse quadro pode ser revertido, segundo o cardeal, a partir do momento em que as pessoas possam tocar as feridas dos pobres e não apenas considerar estatísticas. “Necessitamos de uma autocrítica e autoexame para renovar as mentalidades e atitudes que promovam a comunhão. Necessitamos de estruturas sociais que permitam o florescimento dos valores de comunhão e solidariedade”, disse.

Essa nova configuração da sociedade, dentro da perspectiva da migração, passa pela cultura do encontro. Para Dom Tagle, há muitas pessoas que têm medo do migrante e do refugiado, mas nem ao menos os conhecem. “Mediante o encontro, tocando as feridas, escutando as histórias e sonhos, podemos refletir e nos ver neles. Poderia ser eu mesmo, poderiam ser meus pais, meus irmãos e irmãs, meu amigo. Só assim posso começar a compartilhar a viagem. Suas viagens se convertem na nossa”, exemplificou.

Na oportunidade, ele se emocionou ao trazer testemunhos próprios da vivência dessa realidade que atinge milhões de pessoas no mundo. Uma das histórias contadas foi a de uma visita a um campo de refugiados na Grécia com agentes da Cáritas que recebiam pessoas vindas da Síria, Iraque e Sudão. “Soube que aquele lugar estava organizado graças ao trabalho de uma mulher que trabalhava de forma voluntária. Então, dirigi-me a ela e perguntei: ‘Não tem trabalho suficiente? Por que assume essas responsabilidades?’ Ela me respondeu que seus ancestrais eram também refugiados. ‘Tenho o DNA dos refugiados em meu corpo. São meus irmãos e irmãs. Não os abandonarei’”.

O papa Francisco, lembrado em vários momentos da conferência pelo cardeal, foi citado no final, quando disse em 2013: “A compaixão cristã, esse sofrer com, expressa-se, sobretudo, na tarefa de conhecer os eventos que empurram um a abandonar seu país e em dar a voz, em qualquer ocasião, àqueles cujo choro de dor e opressão não foi escutado. Mas hoje gostaria de convidar a todos a levar a luz de esperança à vista e o coração dos refugiados e das pessoas que são obrigadas a migrar. Admiro a valentia daqueles que têm a esperança de alcançar novamente uma vida normal, com a esperança da alegria e o amor podem animar suas vidas”.

Texto: Wagner Ferreira Cesário

Fotos: Francielle Oliveira e Morgana Damásio

Fonte: Rede de Comunicadores da Cáritas Brasileira

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