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Comissões de atingidos pela mineração da bacia do Rio Doce se articulam na luta por reparação

Encontro das comissões de atingidos da bacia do Rio Doce pelo rompimento da barragem da Samarco (Vale e BHP Billiton) busca articulação estratégica na luta por uma reparação justa.

Atingidos dos municípios de Mariana, Barra Longa, Acaiaca e Rio Doce realizaram um encontro no dia 23 que visa a articulação estratégica entre as comissões de atingidos da bacia do Rio Doce. A reunião aconteceu em Barra Longa com o apoio das Assessorias Técnicas de Mariana – Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais; de Barra Longa – Aedas (Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social); e de Rio Doce – Rosa Fortini; bem como do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

A reunião teve como objetivo a apresentação dos desafios enfrentados e conquistas alcançadas na luta por uma reparação justa e integral.  “Já estava passando da hora das comissões se unirem e interagirem para mostrar o potencial, as demandas e unificar as nossas conquistas”, afirma Luzia Queiroz, membro da Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão em Mariana (CABF). Karina Leão, assessoria técnica da Cáritas Minas Gerais, também destaca a importância da partilha de experiências e informações entre representantes de diferentes territórios para o alinhamento de ações neste momento. “Foi maravilhosa a iniciativa, de suma importância, uma vez que estão sendo criadas todas as comissões e suas assessorias ao longo da bacia”.

Entre os avanços apontados pelas comissões de Mariana, Barra Longa e Rio Doce está a conquista da assessoria técnica de confiança. De acordo com Luzia Queiroz, o pioneirismo da Comissão de Mariana faz toda a diferença: “em Mariana, a gente foi a primeira resistência, dentro de um coletivo que não abriu mão dos direitos. A gente já se fortaleceu bastante, conquistamos muitas coisas, muitas demandas, diretrizes e critérios. Conquistamos um tanto de direitos, mas entendo que a gente tem que compartilhar essas conquistas e as outras comissões também”.

A comunidade do município de Acaiaca ainda luta pelo reconhecimento como atingida pela barragem de Fundão. Luzia Queiroz comenta que ficou claro na reunião que cada comissão enfrenta desafios próprios e constrói sua trajetória de forma autônoma, mas destaca que as dificuldades impostas pelas empresas Samarco, Vale e BHP Billiton, bem como pela Fundação Renova, são muito similares nesses quatro territórios. “O manual da tortura deles segue o mesmo patamar. A gente tem que se unificar e fortalecer para todo mundo começar a falar a mesma língua, porque aí eu quero ver tentarem nos desconstruir”, conclui.

A próxima reunião entre as comissões deve acontecer no dia 18 de junho e a pauta será o TAC Governança (Termo de Ajustamento de Conduta). “A proposta geral dessas reuniões é mesmo o fortalecimento das comissões para contribuir com os atingidos ao longo da bacia, é não deixar que a Fundação Renova desenvolva dominação dos territórios”, afirma a assessora Karine Leão.

Por Ellen Barros, comunicadora popular da Cáritas Regional Minas Gerais em Mariana.

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