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De Brumadinho à Mariana

Atingidas de Brumadinho e representantes de organizações internacionais visitam Mariana em busca de apoio e partilha de experiências na luta pela reparação justa.

A Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão em Mariana (CABF) e a Assessoria Técnica da Cáritas Regional Minas Gerais receberam, na última segunda-feira (26), a visita de uma pequena comitiva da rede Igrejas e Mineração, uma articulação internacional de instituições cristãs que trabalham contra os impactos do atual modelo de mineração. O objetivo do encontro foi ampliar o diálogo e o compartilhamento de experiências para, assim, fortalecer a luta por garantia dos direitos violados pelos dois maiores crimes causados por mineradoras no Brasil.  

Pela manhã, o grupo se reuniu com membros da Assessoria Técnica da Cáritas para conversar sobre os desafios, as batalhas e as conquistas alcançadas nos três anos de junto às atingidas e atingidos de Mariana. No período da tarde, a atingida e mobilizadora, Maria do Pilar Gonçalves, acompanhou a comitiva até sua comunidade, Paracatu de Baixo, devastada pela lama de rejeitos desde 2015.

Durante a reunião da CABF no período da noite, Caroline de Aguiar, atingida de Brumadinho e membro da Arquidiocese de Belo Horizonte, agradeceu ao vídeo produzido pela Cáritas Minas Gerais e pelo Jornal A Sirene, em que integrantes da CABF de Mariana se solidarizam com a situação das vítimas do crime em Brumadinho e convidam à união entre os atingidos. “A gente agradece muito porque chegou num momento importante de unir as comissões lá em Brumadinho. Foi muito bom! Nós agradecemos a mensagem do vídeo, vamos sim fazer essa integração”, disse Caroline.

O fortalecimento dos laços entre as populações atingidas tem se tornado uma realidade cada vez mais concreta. “Toda vez que eu vou falar nas escolas sobre o crime da Vale em Brumadinho, começo com uma pergunta: ‘E se a gente tivesse gritado por Mariana?’”, afirma Marina Oliveira, atingida de Brumadinho e membro da Arquidiocese de Belo Horizonte. Ela conta que quando aconteceu o rompimento em Mariana ficou muito triste, mas lembra que não foi à cidade ver com seus próprios olhos, nem sair às ruas com os atingidos. “Agora aconteceu na minha cidade e a pergunta que eu faço para todo mundo é: ‘E se vocês tivessem gritado por Mariana? E se vocês tivessem gritado por Brumadinho?’ Porque tem várias cidades correndo o mesmo risco que a gente”, enfatiza. Reflexões como essa, realizada durante a reunião com a CABF em Mariana, estimulam cada vez mais a articulação entre pessoas que vivem cotidianamente os danos causados pelos crimes da mineração em Minas Gerais.

A comitiva da rede Igrejas e Mineração, que esteve em Mariana, foi composta por três atingidas, membros da Arquidiocese de Belo Horizonte, além de um representante da London Mining Network, instituição de Londres que faz frente ao modelo de mineração, e uma representante da Coopération Internationale pour le Développement et la Solidarité (CIDSE), rede de cooperação católica em prol da justiça social atuante na Europa e na América do Norte.

Por Ellen Barros, comunicadora popular da Cáritas Regional Minas Gerais em Mariana.
Foto destaque: Ellen Barros
Fotos matéria: Luanna Gerusa Ferreira e Maria do Pilar Gonçalves

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