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Dia Internacional das Mulheres

Mulheres de todo o país realizaram manifestações denunciando o machismo, o patriarcado e o projeto neoliberal que coloca o lucro acima da vida. Acompanhe algumas das manifestações em Minas Gerais.

No dia 8 de março, mulheres de todo o país realizaram manifestações denunciando o machismo, o patriarcado e o projeto neoliberal que coloca o lucro acima da vida. Em Minas Gerais, mulheres organizadas em coletivos feministas, grupos culturais, partidos políticos, sindicatos, movimentos, pastorais e organizações sociais e simpatizantes às lutas feministas foram às ruas levantando bandeiras contra o feminicídio, contra a reforma da previdência e por um novo modelo de mineração. Mulheres lutadoras na história do Brasil, como Marielle Franco, foram lembradas e homenageadas nas manifestações no estado e no país.

Acompanhe algumas das manifestações realizadas em Minas Gerais.

Belo Horizonte: 8 de março é marcado por unificação das mulheres

As mulheres de diversas articulações e forças sociais, entre elas da Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, promoveram um ato unificado nas ruas do centro da capital, no dia 8. Entre as principais bandeiras de luta que unificam a manifestação estão: a denúncia e a punição do crime da Vale por seus crimes contra a vida e o meio ambiente; a memória de um ano e a luta por justiça pelo assassinato de Marielle Franco, ex-vereadora do Psol eleita no Rio de Janeiro; a oposição ao governo federal neoliberal e conservador; a reforma da previdência; as privatizações e a liberdade de Lula.

A manifestação contou com cortejo e batucada feminista, performances culturais, cartazes e palavras de ordem, entre outras intervenções. A Frente Brasil Popular convocou o ato com concentração na Praça Raul Soares, às 17h, e saída às 18h, tendo como mote “Mulheres em luta: o lucro não Vale a Vida”. Já a Frente Povo Sem Medo escolheu o tema “Nossas vidas valem mais”, com saída às 17h30, da Praça da Estação.

As manifestações se encontraram na Praça Sete, às 19h, em uma grande ciranda e a leitura de um manifesto escrito conjuntamente pelas mulheres organizadas.

Leia AQUI o manifesto na íntegra.

Informações: Geanini Hackbardt, pelo Brasil de Fato
Fotos: comunicação do CRESS-MG

Sarzedo e Brumadinho: Movimentos ocupam ferrovia da Vale por justiça a Brumadinho e Marielle e sofrem repressão policial

Pela memória de Marielle Franco e por justiça às vítimas da Vale pelo rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, cerca de 400 mulheres do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na manhã desta quinta-feira (14), a ferrovia que transporta minério de ferro extraído da região do quadrilátero ferrífero em Sarzedo (MG), cidade vizinha à Brumadinho. A polícia reprimiu a manifestação e feriu ao menos 11 militantes com bombas e balas de borracha.

Entre as pautas, estão a violência da mineração predatória contra as mulheres; a ameaça ao abastecimento de água à população gerada pelas mineradoras e sua irresponsabilidade ambiental, a sonegação da previdência e o não pagamento dos impostos sobre a extração mineral.

O ato denunciou também os efeitos devastadores causados pelo atual modelo de mineração para as mulheres que vivem em territórios afetados: violência, prostituição, exploração do trabalho, expulsão de territórios, contaminação de rios, problemas de saúde física e psicológica própria e dos filhos, jornadas extensas de trabalho, roubo da água e precarização da vida.

Sarzedo é um dos muitos municípios de Minas Gerais ameaçados por barragens. Uma delas, da Itaminas Comércio de Minérios S.A, que, se romper, pode acabar com quase metade da cidade. Movimentos e moradores alertam para problemas nas instalações, paralisadas por liminar da justiça desde 7 de fevereiro deste ano, e se preocupam com a falta de sirenes de alerta em caso de rompimento. Em Sarzedo também está localizada a mina Jangada, responsável por 7% da produção da Vale, e de onde saíram os rejeitos que soterraram Brumadinho e o rio Paraopeba, matando 308 pessoas e deixando 136 crianças órfãs.

Saiba AQUI mais informações sobre o ato.

Fotos e informações: Brasil de Fato

Ouro Preto e Mariana: Marias de Minas em Luta

No dia 8 de março, centenas de mulheres de Ouro Preto e Mariana ergueram suas vozes contra o feminicídio, contra a reforma da previdência e por um novo modelo de mineração, em um ato público nas ruas de Ouro Preto. Mulheres de fibra, como Marielle Franco, foram lembradas e homenageadas. “Marias das Minas em Luta” foi uma manifestação construída por diversos coletivos feministas, organizações sociais, instituições e mulheres que não fazem parte de nenhum movimento, mas acreditam na luta feminista. O ato foi unificado, como já acontece há alguns anos na região. As manifestantes se reuniram às 16h30 na praça Tiradentes e seguiram em marcha, passando pelo Fórum, pela Casa dos Contos e, às 20h30, encerraram o ato em frente à Prefeitura Municipal de Ouro Preto.

Vivendo o contexto de um crime socioambiental de enormes dimensões, as mulheres atingidas pela Barragem de Fundão trouxeram falas fortes e sofridas, expressões de dor e de luta. “Esse é um momento que nós temos para convidar as pessoas para se juntar a nós”, comenta Mirella Lino, da comunidade de Ponte do Gama, que faz ouvir o clamor das famílias atingidas da zona rural de Mariana. “O crime não atingiu apenas Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, têm mais seis comunidades além dessas. São três anos de impunidade, três anos que nós lutamos e conquistamos muitos direitos, mas também são três anos que passamos adoecendo, tristes, em sofrimento inexplicável. São três anos de luta”, afirma Mirella.

O atual modelo de mineração que que se baseia em um discurso de desenvolvimento, visa o lucro de poucos em detrimento da vida de muitos. “Não são 19 pessoas que morreram com o crime da Samarco, Vale e BHP. Na nossa conta de atingidos, nos territórios já são 58 mortes. A mídia não conta, mas nós vamos dizer”, afirma Simone Silva, moradora de Barra Longa. No modelo de mineração primário exportador, a riqueza é extraída das montanhas, mas a população local continua pobre, cada vez mais adoecida, com as águas e o ar contaminados. A mineração realizada hoje no Brasil e no mundo é insustentável. Resulta em crimes socioambientais nas proporções dos que ocorreram em Mariana e em Brumadinho.

Machismo, racismo e luta pela previdência social

Além da condição de atingidas, a realidade destas mulheres se mostra ainda mais dura em função do racismo estrutural na sociedade brasileira. “Ser mulher nessa luta é bastante difícil, primeiro porque a gente já vem de um histórico de vulnerabilidade, então a nossa fala não tem muita atenção. Por eu ser uma mulher negra e jovem, as pessoas não acham que eu seja uma pessoa de fato”, desabafa Mirella Lino.

O tratamento destinado às atingidas pela Fundação Renova foi alvo de críticas durante o ato do Dia Internacional das Mulheres. “Eu sofro preconceito na atenção da Fundação, que foi criada para reparar mas só renova o crime, por sustentar uma pele negra, por ser uma mulher e, mais ainda, por ser uma jovem mulher negra. São três condições que invisibilizam a pessoa”, afirma Mirella.

Outra frente de luta é contra a reforma da previdência, que ataca a vida das mulheres. Para receber o valor integral de sua aposentadoria nos termos da PEC 6/2019, a trabalhadora deve ter no mínimo 62 anos de idade e 40 anos de contribuição. “Enquanto tentam nos massacrar, nós nos fortalecemos e seremos só resistência, só resistência! Não vamos permitir que depois de tanta luta nossos direitos sejam retirados na calada da madrugada […]. Neste 8 de Março não temos nada para comemorar, é dia de luta! No mundo todo”, diz Aida Anacleto, ativista e membro da Pastoral Afro-Brasileira.  

Leia AQUI a matéria completa.

Por Ellen Barros, comunicadora popular da Cáritas Regional Minas Gerais em Mariana

Montes Claros: Mulheres do  Norte de Minas realizam ações em referência ao Dia internacional das Mulheres

Com o tema “Mulheres em Resistência: Ninguém Solta a Mão de Ninguém”, diversas mulheres organizadas em movimentos, instituições, grupos, sociedade civil e poder púbico realizaram ações para marcar o Dia internacional das Mulheres, nos dias 8 e 9 de março, em Montes Claros.

Na manhã do dia 8, as manifestantes estiveram na principal praça do centro da cidade e no Mercado Municipal, dialogando sobre o combate à violência, o aumento do número de feminicídio, medidas que impactam a vida das mulheres, como a reforma da previdência e a liberação da posse de arma de fogo.

No dia 9, elas realizaram uma marcha que percorreu as ruas centrais de Montes Claros, que refletiu a resistência, a força e a diversidade de pautas travadas diariamente pelas mulheres do Norte de Minas. O ato começou na praça Dr. João Alves e encerrou na Praça da Matriz, onde houve distribuição de mudas de plantas nativas.

Confira AQUI mais fotos e informações.

Fotos e informações: Nívea Martins e comunicação do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA-NM)

Jequitinhonha: Cáritas Diocesana do Baixo Jequitinhonha participa de mobilizações e atividade de luta pela vida das mulheres

A Cáritas Diocesana de Almenara, que atua no Baixo Jequitinhonha, tem acompanhado diversos grupos de mulheres no município de Jequitinhonha e região. No Dia Internacional das Mulheres, as agentes da Cáritas participaram de mobilizações e de atividades.

No dia 8 pela manhã, a Cáritas produziu seu programa radiofônico Vozes da Terra, na rádio Santa Cruz, que tratou do significado deste dia e da importância da união entre as mulheres. Durante a tarde, foi realizado um ato público em Almenara, promovido por diversas organizações, dentre elas, a Cáritas Diocesana, OSCIP 8 de Março, Comissão Pastoral da Terra e outras. Com o lema “Juntas somos mais fortes”, o ato denunciou, principalmente, a violência sofrida pelas mulheres na sociedade patriarcal e machista.

No dia 10 de março, agentes da Cáritas estiveram presentes no encontro de mulheres na comunidade Ilha do Pão. A agente Maria Afonso Oliveira dialogou com mulheres, homens e crianças sobre a própria condição de ser mulher numa sociedade machista, desde os primórdios da humanidade. As pessoas presentes puderem pautar suas opiniões sobre as violências sofridas pelas mulheres em seu cotidiano, afirmando que o machismo oprime e mata, já o feminismo busca uma relação de igualdade nos direitos de homens e mulheres, além de colocar um basta em toda forma de opressão e violência, pautando relações, sobretudo, respeitosas de ambos os lados.

Durante o mês de março, ainda haverá várias atividades em comemoração ao mês da mulher no município de Jequitinhonha, coordenadas pelo Centro de Referência da Mulher (CRM), juntamente com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e as secretarias de Desenvolvimento Social e Saúde, em parceria, com a Cáritas Diocesana de Almenara.

Confira AQUI mais fotos e informações.

Por Maria Afonso de Oliveira e Griziele Souza, agentes da Cáritas Diocesana de Almenara

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