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Direito a água no semiárido

Em transmissão ao vivo na próxima quinta-feira (17), às 17h, agricultores e lideranças do semiárido mineiro discutem o acesso à água na região diante dos retrocessos da crise sociopolítica e ambiental agravada ainda mais pelos impactos da pandemia. A live marcará o lançamento da campanha “Água, Esperança de Vida: adote uma cisterna na comunidade quilombola de Santo Isidoro” e será transmitida pelas redes sociais da Cáritas Minas Gerais.

Muito tem se falado sobre os impactos que as mudanças climáticas trazem e trarão para o planeta. As pesquisas indicam que a Terra está ficando cada vez mais quente e os prejuízos desse aquecimento serão maiores nas áreas semiáridas e nos países do Sul global, ou seja, abaixo da linha do Equador, onde a agricultura é uma das principais fontes de recursos. Traçando um caminho na contramão do aquecimento global, as agricultoras, os agricultores e os povos tradicionais do semiárido brasileiro, há mais de 20 anos, vêm construindo experiências concretas, que são referências mundiais para as políticas públicas de convivência com o semiárido.

No entanto, a crise social, política e ambiental vivida no Brasil, no contexto da pandemia, agravou ainda mais os desafios de acesso à água suficiente e segura para as pessoas mais vulneráveis, em especial, para os povos do semiárido. Para discutir o “Direito a água no semiárido”, a Cáritas Minas Gerais promove a transmissão ao vivo nas suas redes sociais no dia 17 de setembro, próxima quinta-feira, às 17h.

A live terá a participação da deputada estadual e presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Leninha Alves de Souza (PT-MG); do agricultor do Assentamento Terra Prometida (Felizburgo/MG), militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e membro da diretoria da Cáritas Diocesana de Almenara, Jorge Rodrigues; da professora, moradora da comunidade quilombola de Santo Isidoro (Berilo/MG), Olídia Alves Saúde Batista; e do coordenador da cultura de Berilo e líder comunitário da comunidade quilombola de Santo Isidoro, Adão Raimundo Dias Santos.

Com mediação da comunicadora popular da Cáritas Minas Gerais, Lívia Bacelete, a transmissão marcará o lançamento da campanha “Água, Esperança de Vida: adote uma cisterna na comunidade quilombola Santo Isidoro”. A campanha tem o objetivo de arrecadar recursos para custear cisternas de placas de armazenamento de água de chuva na comunidade quilombola localizada no município de Berilo, região do Médio Vale do Jequitinhonha.

Saiba AQUI como contribuir para a campanha.

Do combate à seca à convivência com o semiárido

Desde 1999 os povos do semiárido estão organizados em uma grande rede de entidades da sociedade civil: a ASA Brasil (Articulação no Semiárido Brasileiro). A atuação da ASA tem possibilitado a construção do maior programa de captação e armazenamento de água da chuva do mundo – o Programa Cisternas, que vem respondendo aos complexos desafios planetários das mudanças do clima e da escassez de água.

Abrangendo 1.262 municípios do nordeste, do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, o semiárido brasileiro ocupa 12% do território nacional e é o semiárido mais chuvoso do mundo. No entanto a chuva é concentrada em poucos meses do ano e distribuída de forma irregular, um desafio que é enfrentado pelas famílias agricultoras através do armazenamento da água de chuva em tecnologias sociais, como a cisterna de placas ou caixa, como é popularmente conhecida em Minas.

Através da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), desde 2003 a sociedade civil organizada, em parceria com o Estado, realiza o Programa Cisternas. Até agora, o Programa proporcionou o acesso à água potável para o consumo humano para 1 milhão e 375 mil famílias e o acesso à água para produção de alimentos e criação de animais para 207 mil famílias na região.

Apesar de ser uma das experiências mais exitosas de convivência com o semiárido no mundo e ser uma referência para países da América Latina e da África, esta política pública não é prioridade na agenda do governo federal e vem sofrendo profundos cortes orçamentários e, logo, sua desarticulação. Aliado à extinção de ministérios e secretarias voltados para o desenvolvimento agrário, a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), aos cortes e redução de programas públicos, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o cancelamento da contratação da assistência técnica rural (ATER), entre outros, o Brasil assiste a ampliação da fome, principalmente nas regiões mais vulneráveis, como é o caso do semiárido.

As famílias agricultoras estão com menos renda e menor capacidade de continuar produzindo alimentos. Nas grandes cidades, se reduz as condições da população de comprar alimentos, que estão ficando cada vez mais caros. Atualmente, a fila de pessoas que esperam receber as tecnologias sociais de armazenamento de água de chuva do Programa Cisternas é de 350 mil famílias para a 1ª água (consumo humano) e de 800 mil famílias para a 2ª água (produção de alimentos).

Neste cenário, como garantir o direito a água para as famílias do semiárido brasileiro? Quais as possibilidades de incidência para a continuidade dos projetos que integram o Programa Cisternas? Essas e outras questões serão debatidas na transmissão ao vivo promovida pela Cáritas Minas Gerais. Acompanhe e participe!

SERVIÇO:

O que: Live “Direito à água no semiárido”
Quando: 17 de setembro (quinta-feira), às 17h
Onde: Facebook e Youtube da Cáritas Regional Minas Gerais @caritasmg
https://www.facebook.com/caritasmg/
https://www.youtube.com/channel/UCKemiHoXrNTpsepVU-2jvJQ
Contribua com a campanha Água, Esperança de Vida: https://benfeitoria.com/adote-uma-cisterna-na-comunidade-quilombola-santo-isidoro-ikq

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