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Economia Popular Solidária é tema de formação no quilombo Buriti do Meio

Capacitação busca fortalecer os Núcleos de Produção para um trabalho coletivo de mulheres, baseado nos princípios da Economia Popular Solidária.

A Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais, em parceria com Cáritas diocesana de Januária, realizou nos dias 25 e 26 junho, no Centro Comunitário do quilombo Buriti do Meio, no município de São Francisco, região norte de Minas Gerais, uma formação sobre Economia Popular Solidária (EPS) para um grupo de artesãs dos Núcleos de Produção que vivem no quilombo. Os núcleos são acompanhados pela Cáritas e fazem parte do projeto Quilombo de Direitos, financiado pela Kindernothilfe – KNH.

A EPS é uma estratégia de desenvolvimento sustentável e solidário fundamentada na organização coletiva de trabalhadores e trabalhadoras com interesse de melhorar a qualidade de vida por meio do trabalho associado, cooperativado ou mesmo em grupos informais. É ainda uma maneira de combater as desigualdades do atual sistema e de construção de outro modo de produzir, consumir e de pensar as relações entre as pessoas.

Motivados por uma Roda de Conversa, o grupo refletiu sobre o “Mundo do trabalho que vivemos e o mundo do trabalho que queremos”. A assessora técnica da Cáritas, Renata Siviero, aponta que a Economia Solidária é um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. “Na perspectiva da EPS, é possível viver sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o meio ambiente. Viver em cooperação e colocar em prática o Bem Viver”. Durante a roda de conversa, o grupo de mulheres refletiu sobre o significado da palavra economia: “Eco-casa/nomia-administração, e questionaram a maneira como a administração da casa comum vem acontecendo.

Para Meire Reis, coordenadora do projeto Quilombo de Direitos, a formação é muito importante para ajudar as mulheres a refletirem sobre o mundo do trabalho que elas estão inseridas: “Esta reflexão foi importante para entenderem que o mundo do trabalho que elas querem/desejam é possível de alcançar ou de se aproximar a partir do trabalho baseado nos princípios e metodologias da Economia Popular Solidária. Também foi muito importante elas saberem que a EPS não é algo novo, mas um resgate de uma metodologia que nossos antepassados já praticavam quando faziam por exemplo as trocas de produtos e de serviços, avalia.

Além dos momentos de reflexão e discussão sobre o mundo do trabalho, foi realizado uma atividade prática, de maneira que as artesãs tiveram a oportunidade de simular uma feira com exposição dos trabalhos produzidos por elas. A partir desta atividade foram avaliados as dificuldades e os pontos fortes nos espaços de feiras e quais os desafios para a realização, uma vez que o objetivo é planejar e colocar em prática a realidade de um outro mundo possível, onde os trabalhos sejam regidos pelas práticas da solidariedade e da cooperação.

Para Claudiomar Luiz, Educador do projeto, a formação foi de grande importância, pois ajudou o grupo de mulheres a refletir sobre a importância do trabalho coletivo, além de possibilitar um outro olhar sobre a forma que vivemos: “É uma maneira de viver em harmonia com todos e com a natureza”, destaca o Educador. Rodrigo Gonçalves, que também é Educador do projeto, reforçou a importância da formação para melhoria das práticas diárias entre os seres humanos e a relação com a natureza: “Foi como uma catequese, onde nos levou a entender a importância da união com o próximo e o convívio harmônico com a natureza, onde todos se defendem e todos se protegem”, conclui.

Rosimeire Luiza, artesã do Núcleo de Produção, avalia que esses momentos são muito importantes para o crescimento da comunidade e fala da necessidade de um trabalho conjunto: “Precisamos trabalhar pensando um no outro, envolver todo mundo. Sabemos das dificuldades, mas queremos colocar em prática a Economia Popular Solidária”, garante. A artesã Albertina Souza (Tina), que já participou de outras formações sobre EPS, afirma que são sempre momentos de muito aprendizado: “Quero levar os conhecimentos para a minha vida e colocar em prática o que aprendi durante a capacitação”, informa a artesã.

A partir da capacitação, os Núcleos de Produção firmaram um compromisso de pensar ações mais coletivas, uma proposta inicial é a realização de uma feira na própria comunidade nos dias de reunião da Associação Comunitária de Buriti do Meio.

Kindernothilfe – KNH

KNH é uma agência de desenvolvimento, fundada em 1959 na Alemanha, com enfoque na criança e no adolescente. Seu objetivo é melhorar as condições de vida de crianças e adolescentes que vivem nos países mais pobres do mundo. A KNH apoia mais de 280.000 crianças e adolescentes em 28 países situados na África, América Latina, Caribe, Ásia, e no Leste Europeu.

A KNH está presente no Quilombo Buriti do Meio desde 2015, apoiando o projeto Quilombo de Direitos, que colabora para que crianças, adolescentes, jovens e suas famílias reflitam sobre a realidade que vivem, de maneira a criar alternativas criativas de desenvolvimento através da arte, da cultura e da cidadania.

             Com informações de Renata Siviero Martins, assessora técnica da Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais

Fotos: Claudiomar Luiz, Educador do projeto Quilombo de Direitos

 

1 Comment

  1. Parabéns a todos os envolvidos que alcançaram esse desenvolvimento na Comunidade de Buriti do Meio,
    Meus cumprimentos a esse povo guerreiro.

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