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Grito dos Excluídos e Excluídas luta por justiça, direitos e liberdade

Conjuntura política e econômica do atual governo e o crime da Vale em Brumadinho motivaram a escolha do tema deste ano.

Ato inter-religioso de lançamento do Grito, em BH.

“Este sistema não Vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade” é o tema da 25º edição do Grito dos/as Excluídos/as, tradicional manifestação popular que acontece todos os anos, no dia 7 de setembro, em diversas cidades do Brasil e da América Latina.

O ano de 2019 tem sido marcado por uma conjuntura muito adversa para os pobres: cerceamento da liberdade, retirada de direitos conquistados, aumento do desemprego, volta da fome e violência contra os menos favorecidos. Assim, o lema desta edição, mais uma vez, alerta para a insustentabilidade deste sistema. O Grito mantém sempre seu objetivo de defender a vida em primeiro lugar, anunciando a esperança de um mundo melhor e promovendo ações de denúncia dos males causados por este modelo econômico.

O principal objetivo do Grito dos Excluídos é denunciar todas as formas de exclusão e as causas profundas que levam o povo a viver em condições de vida precárias. Cada vez mais, as entidades e movimentos de defesa e promoção de direitos vêm investindo na atividade como forma de denunciar o modelo de desenvolvimento e crescimento econômico que resulta em desigualdade social, miséria, violência e devastação ambiental.

Mais do que uma articulação, o Grito é um processo, uma manifestação popular carregada de simbolismo, que integra pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos. Ele brota do chão, é ecumênico e vivido na prática das lutas populares por direitos.

Seminário em preparação do Grito, em BH.

A proposta não só questiona os padrões de independência do povo brasileiro, mas ajuda na reflexão para um Brasil que se quer cada vez melhor e mais justo para todos os cidadãos e cidadãs. Assim, é um espaço aberto para denúncias sobre as mais variadas formas de exclusão.

Os crimes socioambientais cometidos pelas mineradoras motivaram a escolha do tema deste ano. “Em meio à conjuntura política e econômica do governo e da sociedade, o crime da Vale em Brumadinho teve um peso considerável nessa decisão”, diz nota divulgada pela Pastoral Operária, umas das diversas organizações que coordenam o movimento.

A moradora da comunidade Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), Sara de Souza Silva, mãe de dois filhos e atingida pelo rompimento criminoso da barragem da Vale, foi convidada a fazer parte da coletiva de imprensa nacional que acontecerá no dia 3 de setembro, às 14 horas, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB -Regional Sul 1), em São Paulo.

A coordenação do Grito dos Excluídos da cidade de Governador Valadares (MG), em carta enviada à população, fala da importância e a necessidade dos diversos gritos presentes em nossa sociedade e destaca a relação de morte e destruição causada pelas mineradoras. “É a denúncia ao sistema econômico que mata, em especial a mineradora Vale, responsável pela morte de setecentas pessoas e do desaparecimento de milhões de outras formas de vida, em nome do lucro, em Brumadinho-MG. Denuncia também a mineradora Samarco que, depois de quatro anos do crime/desastre sócio ambiental em Mariana-MG, matando dezenas de vidas humanas e destruindo milhões de outras formas de vida na Bacia do Rio Doce, permanece impune e descumprindo suas responsabilidades em reparação aos danos humanos e sócio ambientais.”

Em Belo Horizonte, o Grito dos Excluídos vem sendo construído desde abril. Laísa Campos, que integra a organização da manifestação, destaca a importância das diversas forças que irão se somar ao Grito este ano, em especial, o Tsunami da Educação, ato que reúne estudantes, profissionais da educação, sindicalistas e movimentos populares em prol da educação pública, puxada pela União Nacional dos Estudantes (UNE). “A estimativa é de que seja um grande ato em função dessa união, a educação é uma pauta do Grito, assim como a mineração, privatização e previdência”, informa.

Diversas atividades preparatórias já foram realizadas na capital mineira, o lançamento do Grito aconteceu no dia 6 de agosto, na praça 7 de Setembro, com um ato inter-religioso com apresentação de diversas denominações religiosas. A concentração do evento está marcada para às 9 da manhã, no viaduto Santa Tereza.

Reunião em preparação para o Grito, em Montes Claros.

A Arquidiocese de Montes Claros, através das pastorais sociais, também vem realizando atividades em preparação ao Grito. No dia 9 de agosto aconteceu a primeira reunião com entidades e organizações parceiras para preparação e articulação. No dia 7, o ato público terá concentração às 7h30, na praça da Matriz.

Na Diocese de Itabira/Cel. Fabriciano, o Grito dos Excluídos vai acontecer em Ipatinga, no CEFAFO (Av. José Raimundo, 3.939), a concentração está marcada para às 8 da manhã, com café da manhã comunitário.

25 anos de história

A proposta do Grito dos Excluídos e Excluídas surgiu em 1994, a partir do processo da 2ª Semana Social Brasileira, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), cujo tema era Brasil, alternativas e protagonistas, inspirada na Campanha da Fraternidade de 1995, com o lema “A fraternidade e os excluídos”.

Entre as motivações que levaram à escolha do dia 7 de setembro para a realização do Grito estão a de fazer um contraponto ao Grito da Independência. O primeiro Grito dos Excluídos e Excluídas foi realizado em 7 de setembro de 1995, tendo como lema “A vida em primeiro lugar” e ecoou em 170 localidades.

A partir de 1996, o Grito foi assumido pela CNBB que o aprovou em sua Assembleia Geral, como parte do PRNM (Projeto Rumo ao Novo Milênio – doc. 56 nº 129). A cada ano, se efetiva como uma imensa construção coletiva, antes, durante e após o sete de setembro.

Saiba AQUI mais sobre o Gritos dos Excluídos e Excluídas.

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