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Igrejas e Mineração: pastorais e organismos sociais denunciam conflitos e violações causados pelo modelo minerário

Pastorais e organismos sociais de Minas Gerais se reuniram para refletir sobre a articulação da Igreja frente à mineração, nos dias 21 e 22 de março, em Paracatu. Participantes publicaram carta denunciando as violações das mineradoras e reforçando o compromisso em defesa da Casa Comum.

Pastorais e organismos sociais de Minas Gerais se reuniram para refletir sobre a articulação da Igreja frente ao modelo minerário e aos impactos sofridos pelas comunidades atingidas pela mineração. Realizado nos dias 21 e 22 de março, em Paracatu, o encontro Igrejas e Mineração contou com a participação da Cáritas Regional Minas Gerais, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Durante a atividade, os participantes visitaram a mina de extração de ouro da empresa Kinross, que possui a maior barragem de rejeitos da América Latina e uma das maiores do mundo. A visita foi guiada por Márcio José dos Santos, geólogo e morador de Paracatu. Márcio explica que a mina está localizada na zona urbana do município, que tem população estimada em 92.500 habitantes. “Trata-se de um minério rico em arsênio e a mina manda poeira com lixo tóxico em direção à cidade, o que traz uma preocupação porque o número de pessoas com câncer tem crescido desmesuradamente”, ressalta.

Além disso, ele denuncia os inúmeros conflitos em relação ao território, pois muitas pessoas foram expulsas de suas casas nos bairros vizinhos à mina, e destaca a preocupação com a contaminação das águas devido à infiltração do arsênio no lençol freático, já que a barragem não é impermeabilizada. “Nós temos aqui uma das maiores barragens de rejeito do mundo, não existe nenhum depósito de arsênio tão grande quanto esse. Nossa luta é muito desigual, porque a mineradora conseguiu estabelecer um domínio sob todos os setores sociais, cooptando organizações e impondo sua vontade para as autoridades públicas, que na verdade fazem aquilo que a mineradora deseja. Essa luta desigual reflete também numa certa desesperança da população”, explica.

Veja AQUI mais fotos do encontro Igreja e Mineração.

A atividade ainda contou com a assessoria de frei Rodrigo Peret, da comissão Igreja e Mineração da CNBB; de Maria Teresa Corujo, mais conhecida como Teca, do Movimento pelas Serras é Águas de Minas e conselheira da Câmara de Atividades Minerárias do Copam; e de Patrícia Generoso, do movimento Reaja (Rede Articulação Justiça Ambiental Atingidos Minas-Rio). Também esteve presente o bispo da diocese de Paracatu, dom Jorge Alves Bezerra.

Para frei Rodrigo Peret é preciso combater o modelo minerário e lutar pelo direito das comunidades dizerem não à mineração. Peret ressaltou a importância das pastorais dialogarem com a hierarquia da Igreja para expor as violações causadas pela mineração e refletiu sobre como transformar a reflexão de fé em fortalecimento na luta junto às comunidades atingidas. “Temos um desafio de rever nossa fé e a Laudato Si trata muito disso”, exemplificou a partir da encíclica do papa Francisco.

O encontro foi encerrado no Dia Mundial da Água, 22 de março, quando os participantes publicaram uma carta assumindo o compromisso de articulação com a rede latino-americana Igrejas e Mineração. Esta coalizão é formada por mais de 70 entidades da América Latina que enfrentam o desafio dos impactos e violações de direitos socioambientais provocados pelas empresas mineradoras nos territórios.

Leia AQUI a carta do encontro Igrejas e Mineração, realizado nos dias 21 e 22 de março, em Paracatu.

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