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Intercâmbio entre agricultores e agricultoras promove troca de saberes, culturas e sementes no Vale do Jequitinhonha

Entre os dias 25 e 26 de abril, aproximadamente 40 pessoas, representantes de 08 comunidades rurais onde estão sendo implementadas as Casas de Sementes do Projeto Sementes nos municípios de Virgem da Lapa, Caraí, Itinga e Francisco Badaró, estiveram presentes no Intercâmbio intermunicipal de agricultoras e agricultores no município de Itinga/MG. A atividade teve como objetivo discutir a problemática das sementes na região do Vale do Jequitinhonha, bem como trocar experiências entre os guardiões e guardiãs da agrobiodiversidade, conhecer as Casas de Sementes que já estão funcionando em Itinga e a resistência frente as adversidades climáticas.

Durante o encontro foram visitadas as comunidades Caldeirão, que já tem 8 anos de caminhada com Casa de Sementes, e a comunidade Santa Maria, que começou sua história no ano passado (2016).

O encontro também foi uma oportunidade para discutir a execução do projeto, assim como debater a implementação das Casas de Sementes que serão construídas nas comunidades de Santa Rita, Buriti, Cachoeira, Pará, Cascalho, Santo Antônio, São João a reforma da Casa de Sementes na comunidade de Zabelê. Além das importantes trocas de experiências, o intercâmbio propiciou que as famílias fizessem a troca de uma grande variedade de sementes. 

De acordo com Rodrigo Vieira, secretário da Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais, o encontro foi um importante momento para os representantes das comunidades onde serão implementadas as novas Casas de Sementes, o intercâmbio ajudou os agricultores e as agricultoras a entenderem o objetivo das Casas de Sementes, a trocarem saberes, cultura e sementes.

Para Valteir Soares o programa Sementes do Semiárido é uma grande conquista para os agricultores e agricultoras, uma vez que as sementes crioulas preservam o patrimônio genético e resgata os saberes tradicionais: “Elas também são mais resistentes e adaptadas às condições climáticas da região, e promovem uma agricultura limpa, saudável e com menores custos”, avalia o guardião.

Diante da atual situação econômica, a guardiã Marly da comunidade Cachoeira, município de Francisco Badaró, avalia positivamente a construção das Casa de Sementes: “As casas vão ser boas para as comunidades, se a gente produzir o nosso próprio alimento, vamos economizar com a feira. A vida no momento atual está difícil, a gente vai no mercado e não dá pra comprar quase nada de verdura. Dá mal, mal pra comprar o grosso. Com a Casa de Sementes eu vou conseguir dar uma alimentação melhor para meus filhos que estão dentro de casa comigo”.

Para José Nelson, da Cáritas Diocesana de Araçuaí, o ponto forte foi a troca de informações entre os guardiões e guardiãs: “Vir cá e ver tanta gente com experiência, vivenciando a prática da semente crioula, me fez sentir que estou no lugar certo”, enfatiza o técnico agrícola.

Programa Sementes do Semiárido

Além da implementação de 08 Casas de Sementes, o projeto prevê atividades de formação, intercâmbios e fortalecimentos dos processos de guardiões e guardiãs de sementes crioulas, distribuição de sementes com o compromisso de que quem adquirir as sementes, terá de devolver uma parte à Casa,  após a colheita.  O programa está sendo apoiado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), por meio da Associação Programa Um Milhão de Cisternas para o Semiárido (AP1MC) .

Em Minas Gerais, o projeto é executado no Vale do Jequitinhonha pela Cáritas Brasileira Regional Minas em parceria com a Cáritas Diocesana de Araçuaí.

 

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