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Mariana: três anos do maior crime socioambiental do país

Atingidos da barragem de rejeitos da Samarco, em Mariana, denunciam violações de direitos, atrasos, falta de participação nas decisões e ações da Fundação Renova, e reivindicam a garantia de reparação justa e integral dos danos causados pelo rompimento.

  Às vésperas do maior desastre socioambiental do país completar três anos, atingidos pela lama da barragem de Fundão, de propriedade da mineradora Samarco, denunciam mais uma vez violações de direitos, atrasos, falta de participação nas decisões e ações da Fundação Renova, para que sejam feitos acordos desfavoráveis às vítimas.

Depois de três anos de espera – já que as ações adotadas até agora não passaram de medidas mitigatórias (ações emergenciais para garantir a sobrevivência das pessoas atingidas) – a situação das vítimas segue dramática. Nas escolas e nas ruas, crianças atingidas são chamadas de “pé de lama”. Idosos sofrem de depressão, afastados do modo de vida que conheceram desde sempre. Comunidades estão fragmentadas.  Mulheres são privadas das ações de reparação por não terem suas atividades econômicas reconhecidas, caso das pescadoras e marisqueiras que trabalham na informalidade no litoral do Espírito Santo. Povos tradicionais e indígenas estão desolados com a poluição do sagrado Rio Doce. Muitos perderam trabalho e alimento, pois águas e peixes estão contaminados.

À frente desta luta estão os atingidos e atingidas que, com sua admirável força e capacidade de resiliência, conquistaram alguns avanços nos últimos anos. Mas que anseiam por uma reparação justa e integral, nos moldes previstos pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Sistema Interamericano de Direitos Humanos: mitigação, restituição, compensação, reabilitação, satisfação e não-repetição. Nada menos do que isso. Fartos dessa situação, eles irão realizar uma série de atividades no início do mês de novembro, marcando os 3 anos do maior crime socioambiental do país.

Viagem a Londres

Representantes das comunidades atingidas anunciam viagem a Londres, de 4 a 11 de novembro, onde se reunirão com parlamentares, organizações da sociedade civil e imprensa para denunciar a situação que não encontra solução justa e eficaz no Brasil.

Ao lado da agenda e motivos da ida a Londres, os representantes apresentarão também uma carta de reivindicações para garantia da reparação justa e integral dos atingidos e atingidas pelo rompimento da barragem. Para eles, é necessário que os poderes públicos garantam remediação efetiva dos danos, em um processo que contemple todas os passos previstos pela ONU e pelo Sistema Interamericano de Direitos Humanos: mitigação, restituição, compensação, reabilitação, satisfação e não repetição. 

Coletiva de imprensa

Apresentação de carta de reivindicações para garantia de reparação justa e integral dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão e anúncio de viagem de grupo de atingidos a Londres para denunciar atrasos e violação de direitos por parte das mineradoras (Samarco, Vale e BHP Billiton) e Fundação Renova são temas da coletiva de imprensa que será realizada no dia 01 de novembro, às 10 horas da manhã, no Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Na coletiva, três representantes de comunidades atingidas e o promotor de Justiça da 1ª Comarca de Mariana, Guilherme Meneghin, estarão à disposição da imprensa. Assessores técnicos dos atingidos e atingidas de Mariana estarão presentes e poderão tirar dúvidas e fornecer informações mais específicas sobre temas relacionados à reparação das vítimas.

Clique AQUI e acompanhe a transmissão ao vivo, realizada em parceria com o Mídia Ninja.

Seminário: Mariana 3 anos depois

Mais do que fazer um balanço dos últimos três anos, a proposta deste seminário é olhar para o futuro, avaliar e definir os próximos passos e prioridades desta luta que se desenha em várias frentes e que, infelizmente, está longe de terminar. A atividade será realizada no dia 3 de novembro, em Mariana, e é uma iniciativa da Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais e da Comissão dos Atingidos e Atingidas pela Barragem de Fundão de Mariana.

Confira AQUI a programação completa e outras informações sobre o seminário Mariana 3 anos depois.

Marcha Lama no Rio Doce: 3 Anos de Injustiça

Para denunciar os 3 anos sem respostas e fortalecer a luta nas regiões, os atingidos e atingidas pelo crime da Samarco/Vale/BHP, organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), realizam a marcha “Lama no Rio Doce: 3 Anos de Injustiça”, entre os dias 4 e 14 de novembro.

A marcha tem início nos dias 4 e 5 de novembro, com um encontro de mulheres que debaterá as consequências do crime na vida das mulheres e crianças na bacia do Rio Doce, em Mariana (MG), de onde os atingidos seguem para iniciar o mesmo trajeto feito pela lama, até Vitória (ES).

Saiba AQUI mais informações e a programação completa da marcha.

Ato público em Mariana e missa

Atingidos e atingidas realizam ato público em Mariana, no dia 5 de novembro, às 17h, em frente à Igreja do Carmo. Após a manifestação, os atingidos participam de missa, às 18h, na Igreja do Carmo.

 

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