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Montes Claros em defesa da vida da população de rua

Atentados contra a vida de pessoas em situação de rua mobilizam para a defesa da garantia de direitos humanos.

 Montes Claros está mobilizada a favor da proteção das pessoas em situação de rua. Nos últimos meses, dois atentados chocaram a população: um homem de 41 anos e outro de 44 anos sofreram tentativas de homicídio enquanto dormiam nas ruas, após ter tido fogo ateado em seus corpos. A gravidade dos atentados reuniu diversas organizações de garantia de direitos humanos, da sociedade civil e do Estado, para a defesa dessa população, que já vive em situação de vulnerabilidade e sem acesso efetivo aos seus direitos.

Os atentados mobilizaram a sociedade para o I Ato em Defesa da Vida das Pessoas em Situação de Rua, realizado no dia 13, no centro de Montes Claros. Entre as principais reivindicações estão a instalação de uma unidade de acolhimento 24 horas e um serviço público de pós alta hospitalar para as pessoas em situação de rua, já que as vítimas receberão alta e precisarão de um local com condições mínimas para manter os cuidados necessários no reestabelecimento da saúde.

Com uma população aproximada de 405 mil, Montes Claros tem cerca de 500 pessoas em situação de rua, permanentes ou em trânsito, por estar localizada no segundo maior entroncamento rodoviário do Brasil. Atualmente, o município executa o serviço do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, e o Consultório na Rua, através da Secretaria Municipal de Saúde.

No entanto, esses serviços não são suficientes para a demanda do município, além de funcionarem apenas nos dias de semana, em horário comercial, não atendendo casos nos fins de semana e feriados ou a noite. Para a membro da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de Montes Claros, Elise Braga, é preciso que o Estado promova as condições e os instrumentos necessários para a garantia de direitos constitucionalmente previstos, tais como direito à saúde, ao trabalho, à moradia digna, ao transporte e outros.

No atual cenário do país de perdas de direitos, desemprego e crise econômica, é perceptível o aumento da vulnerabilidade social e do número de pessoas em situação de rua nas grandes e médias cidades. “Defender as garantias de direitos para todas as pessoas que estão em vulnerabilidade é uma condição que permite que a dignidade seja respeitada e que a humanidade seja resguardada”, afirma Elise.

Por Felipe Soares Amaral, agente de ação social do CRDH Norte (Centro de Referência em Direitos Humanos).

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