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Pesquisa investiga danos ao ecossistema atingido por rejeito da mineração

As Assessorias Técnicas aos atingidos pela barragem de Fundão em Mariana, Cáritas Regional Minas Gerais e Aedas, firmam parceria com UFOP para avaliar as perdas e os danos ao ecossistema de comunidades na bacia do Rio Gualaxo Norte, desde Mariana até Barra Longa.

Sérgio Papagaio, morador de Barra Longa, recita poesia na abertura do Seminário Internacional. 

Há tempos as populações atingidas pela barragem de rejeitos da Samarco (Vale e BHP Billiton) relatam danos à saúde e atribuem estes problemas à toxicidade da lama que devastou comunidades inteiras. A partir de demanda das famílias atingidas, as Assessorias Técnicas dos atingidos destes municípios, Cáritas Regional Minas Gerais e Aedas (Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social), firmaram parceria com a UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) para avaliar as perdas e os danos ao ecossistema de comunidades na bacia do Rio Gualaxo Norte, desde Mariana até Barra Longa. Desta parceria, nasceu a pesquisa, em fase de conclusão, sobre a presença e impactos dos metais pesados na água, ar, solo e alimentos que têm contato com o rejeito. Trata-se de uma base científica que irá apontar dados relevantes para esclarecer à população atingida sobre a situação do meio ambiente nos territórios.

Para a professora Dra. Dulce Maria Pereira, coordenadora da pesquisa, todas as pessoas produzem ciência, o problema se dá quando a ciência acadêmica está a serviço de determinados grupos de poder. “Nesse nosso caso, a ciência serve de modo universal, porque estamos trabalhando com padrões universais criteriosos. O cuidado tem sido a nossa referência, para que a linguagem seja de fato universal e para que não se possa dizer que há erro técnico ou científico. Ao mesmo tempo, essa ciência, pela forma que está organizada e explicada, serve às pessoas vítimas destes crimes continuados, que nós chamamos de desastre tecnológico, neste caso específico, de responsabilidade da Samarco, Vale e BHP”, destaca a pesquisadora da UFOP.

Na fase de finalização da pesquisa, foram realizados dois eventos. O primeiro, um Seminário Internacional sobre Métodos e Processos de Avaliação de Perdas Ecossistêmicas de Comunidades Atingidas por Barragens, realizado entre os dias 6 a 9 de abril. Coordenado pela professora Dra. Dulce Maria Pereira, o seminário contou com a presença de pesquisadores do Brasil, Marrocos e Argentina e com a participação de atingidos de Mariana, de Barra Longa e suas Assessorias Técnicas, respectivamente, Cáritas e Aedas, além do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Profa. Dulce Maria Pereira, da UFOP, apresenta um relato preliminar da pesquisa aos atingidos das comunidades da zona rural de Mariana.

O segundo foi um relato preliminar da pesquisa, realizado na tarde do dia 13 de abril, na comunidade de Paracatu de Cima, zona rural de Mariana. A assessora da Cáritas Regional Minas, Luanna Gerusa, iniciou a atividade explicando que a proposta era conversar sobre o que foi levantado no estudo através de uma roda de conversa. O encontro contou com a participação de cerca de 30 atingidos, além de pesquisadores, assessores da Cáritas, uma representante do MAB e outra do Jornal A Sirene.

Por Ellen Barros, comunicadora popular da Cáritas Regional Minas Gerais em Mariana.

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