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Residência Terapêutica Mocinha celebra seu primeiro ano de vida

“Vai ter bolo?”, logo alguém perguntou. Teve bolo, balões, salgadinhos, convidados e muita alegria. Foi assim a comemoração do primeiro ano de vida da Residência Terapêutica Mocinha, localizada no bairro Horto, em Belo Horizonte.

E a comemoração é mais que necessária, pois, no ano de 2016, os últimos pacientes que ainda estavam residindo no Hospital Sofia Feldman ganharam um lar! Junto com o lar, vieram a liberdade, o respeito e a garantia de direitos.

A Residência Terapêutica Mocinha, a mais nova RT da Prefeitura de Belo Horizonte, em parceria com a Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais, ganhou vida e cor com 6 moradores. 

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Desinstitucionalização e os SRT’s: 

A instituição psiquiátrica durante muitos anos impossibilitou as pessoas em sofrimento mental de todo país o direito à existência, liberdade, a garantia de seus direitos, fragilização dos laços familiares. Todas essas perdas exige do Estado a implantação de políticas que resgatem cidadania e reparem esse dano que o próprio Estado causou em suas vidas, dano que deixou marcas que ficarão para sempre na vida dessas pessoas. 

Com o fechamento dos hospitais psiquiátricos, um dos pontos dessa política desafiadora é a desinstitucionalização destes pacientes internados. É um processo de desospitalização com inserção sócio-familiar e social. 

Faz-se necessário, então, oferecer dispositivos assistenciais e garantir condições de habitar a cidade, de ter um lar. O acolhimento acontece num Serviço Residencial Terapêutico (SRT), que são casas nas quais vivem usuários egressos de internação psiquiátrica de longa permanência, sem vínculos ou suportes afetivos e/ou familiares. 

A conquista da liberdade, da nova vida com inserção na sociedade promovida pela Política de Saúde Mental, traz muitos benefícios para esses usuários. Possibilitando condições de acessar a cidade, exercitar sua cidadania, autonomia e nos surpreendemos com essas pessoas.  

Segue relato do psicólogo Leonardo Ribeiro, supervisor da residência:

Antes mesmo que o imóvel fosse alugado, esta casa já existia na mente de todos os envolvidos na desinstitucionalização dos futuros moradores. Sabíamos de todas as características físicas que o local precisava ter. E como foi difícil encontrar! Depois de meses de busca, finalmente localizamos aquela que viria a se tornar a Residência Terapêutica Mocinha.

O nome “Mocinha” foi escolhido por esta casa ser a mais jovem do Serviço Residencial Terapêutico. Mas acima disso, é assim que uma das moradoras trata a todos que vêm ao seu encontro: “Oi mocinha, você tá boa?” diz Cláudia com seu largo sorriso. 

A próxima etapa foi a preparação do lugar para receber os moradores. A escolha dos móveis, as adaptações e, sobretudo, o planejamento dos detalhes para tornar aquele conjunto de cômodos em uma lar. 

Com a chegada dos moradores em 01 de Março de 2016, começamos a aprender que nem tudo poderia ser planejado. Passamos a aprender com eles sobre o que esta casa precisaria se tornar. Cada um foi escolhendo seus cantinhos, criando seus hábitos, mostrando seus limites e seus desejos. 

Em um ano pudemos ver estas pessoas retomarem várias experiências de vida que haviam sido negadas por anos. Voltaram a sentir o cheiro da comida sendo preparada, tocar as texturas das roupas de cama, abrir a porta e conviver com uma vizinhança! Coisas tão simples e tão essenciais para a existência de qualquer pessoa.

Esperamos, para os próximos anos, que esta casa esteja sempre em movimento. Que este ambiente mude e reflita sempre as conquistas diárias de seus moradores.”

Manicômios nunca mais, viva a liberdade!

Elisângela Arraes – Assessora Técnica

 

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