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Fórum das Pastorais Sociais do Leste 2 volta a se encontrar

Refletindo sobre o tema “As reformas de Francisco”, agentes das pastorais sociais e organismos do Regional Leste 2 da CNBB estiveram reunidos no último fim de semana, em Santa Luzia (MG).

As pastorais sociais do Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estiveram reunidas, nos dias 29 e 30 de setembro, em Santa Luzia, para o Encontro do Fórum das Pastorais do Leste 2. Convocada pela comissão para Ação Social Transformadora do Regional Leste 2 da CNBB, a atividade foi coordenada por Dom Marco Aurélio Gubiotti, bispo da diocese de Itabira e Coronel Fabriciano, e Dom Aloisio Vitral bispo da diocese de Sete Lagoas.

Com o tema “As reformas de Francisco”, o encontro contou com a assessoria de Pedro Ribeiro, doutor em sociologia e do movimento Fé e Política. Ribeiro fez uma análise sociológica e histórica do papado, provocando as pastorais sociais sobre a viabilidade da Igreja em saída, que visa retomar o concílio Vaticano II após 35 anos de abandono.

O assessor também provocou as pastorais sociais, indicando que a para a concretização da Igreja em saída é preciso unir forças com o movimento da renovação carismática, hegemônico na Igreja atualmente. “É possível mudar a teologia do catolicismo carismático? Igreja da Libertação e Igreja carismática são irmãs separadas no berçário por teologias diferentes: Reino de Deus no mundo a partir dos pobres  X  Reino de Deus no coração da pessoa”, questionou ele.

Os participantes do encontro se reuniram em grupos para debater essa questão e trouxeram para o plenário experiências que já existem de união de forças entre a renovação carismática e a teologia da libertação, destacando que elas ainda são incipientes. Eles observaram que de fato há uma grande resistência para essa união, uma vez que as pastorais sociais são vistas como comunistas e, nesse momento de polarização política e de intolerância, isso reflete muito na relação.

Os agentes das pastorais assumiram, como compromisso com as reformas do papa, repassar o conteúdo do encontro nas bases e trabalhar para que o projeto de Francisco seja assumido pelas dioceses, paróquias e comunidades. Eles ainda se comprometeram a resgatar a função social da liturgia, a intensificar o trabalho de aprofundamento do documento 105 da CNBB, que trata sobre o Laicato, além de fortalecer movimentos e campanhas como o Grito dos Excluídos, as romarias, a Campanha da Fraternidade, a Jornada Mundial dos Pobres, os cursos de jovens, a participação em fóruns e conselhos como expressão da Igreja em saída

Para Lucimere Leão, da comissão do meio ambiente da província de Mariana, o importante é que as pastorais façam ações articuladas e em rede. “Assim vamos construir a pastoral de conjunto e avançar na implementação das reformas de Francisco”, afirma.

No segundo dia do encontro, o assessor Pedro Ribeiro fez uma análise de conjuntura sobre o momento político do país. A análise evidenciou a importância do investimento, a longo prazo, no trabalho de base, buscando a unidade e a união de forças, com formação na ação: ver, julgar, agir e celebrar.

O último momento do encontro foi voltado para o debate sobre a organicidade da comissão para Ação Social Transformadora, composta pelos seguintes organismos e pastorais sociais: Cáritas, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Pastoral da AIDS, Pastoral Carcerária, Pastoral da Criança, Pastoral do Menor, Pastoral Operária, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral do Povo de Rua, Pastoral da Saúde, Pastoral da Sobriedade, Pastoral do Surdo, Conselho Indigenista Missionário (CIMI), e os bispos referenciais. Cada pastoral social é representada na comissão pelo seu coordenador e pelo seu assessor espiritual.

A comissão é coordenada pela comissão Permanente, formada pelos bispos referenciais Dom Marco Aurélio Gubiotti e Dom Aloísio Vitral; pelo assessor espiritual padre Welington, da Pastoral Carcerária; pelo assessor de formação Padre Nelito, da CPT; pelo secretário Waldeci, da CPT; e tem a coordenação de Rodrigo Pires, secretário executivo da Cáritas Regional Minas Gerais. O Fórum das Pastorais Sociais se reúne uma vez por ano e é formado pela comissão para Ação Social Transformadoras e dois representantes das pastorais sociais de cada diocese.

Finalizando o encontro, foi apresentado o planejamento de 2019. Para a coordenadora do CIMI no Regional Leste 2, Alda Maria Oliveira, a reunião das pastorais sociais foi muito engrandecedora. “Saber que temos muitas forças pisando no chão junto aos pequeninos e aos menos favorecidos nos fortalece. Queremos estar sempre juntos às pastorais sociais nessa luta pelo e para os oprimidos”, conclui.

Por Rodrigo Pires, secretário executivo da Cáritas Regional Minas Gerais

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