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Romeiros e romeiras assumem compromisso com a preservação da nascente do Rio São Francisco na XXI Romaria das Águas e da Terra

Romaria das Águas e da Terra de Minas Gerais reúne cerca de 3 mil pessoas de todo o estado em Lagoa da Prata, na Diocese de Luz, no dia 16 de setembro.

Caminhando, cantando e celebrando na Diocese de Luz, onde nasce o Rio São Francisco, cerca de 3 mil pessoas estiveram reunidas na XXI Romaria das Águas e da Terra de Minas Gerais, na cidade de Lagoa da Prata. A romaria aconteceu no dia 16 de setembro e contou com a participação de romeiros de várias cidades, comunidades, grupos, entidades, movimentos, sindicatos e pastorais sociais do estado.

“Romaria é o momento de defesa dos elementos que dão e geram a vida do nosso povo. É momento de celebração da vida em sintonia com a natureza, de encontro, de renovar a vida e partilhar a palavra, de anúncio e denúncias”, declarou Júlio Cezar Santos, agente da Cáritas Regional Minas Gerais, missionário e romeiro.

Sob a proteção de São Francisco de Assis e inspirados pelo tema “Das nascentes do São Francisco às Terras da Justiça” e pelo lema “Cuidando da Mãe Terra e da Irmã Água”, a romaria não começou, nem acabou no dia 16. Ela envolveu todo um processo de preparação, que contou com reuniões, pré-romarias e com as missões, as quais missionários de vários lugares de Minas Gerais percorreram as comunidades de Lagoa da Prata.

Para a missionária da XXI Romaria e agente da Cáritas Regional Minas Gerais, Vanda Alves, a missão foi um momento importante de visitar as famílias e de viver uma Igreja em saída missionária junto com o povo. “Um momento de escutar o povo e levar esperança. Em algumas casas, as pessoas nos tratavam como se fôssemos o próprio Jesus”, lembra.

Com a XXI Romaria das Águas e da Terra, a Diocese de Luz mostrou ser uma Igreja peregrina, que caminha junto com o povo, celebrando também os 100 anos da Diocese. Após a celebração no dia 16, domingo, foi lida a Carta da XXI Romaria, que reafirmou o compromisso com a luta pela justiça e em defesa da abundância das vidas no São Francisco, da dignidade para todos os seres e da preservação da terra e da água.

Leia AQUI a Carta-Compromisso da XXI Romaria das Águas e da Terra de Minas Gerais.

Salve a caminhada

No domingo, a romaria teve início com uma celebração, às 6h, em frente à Igreja São Francisco. No local, foi servido um lanche e os romeiros se animaram com músicas e apresentações culturais e religiosas.

Os romeiros seguiram pelas ruas de Lagoa da Prata, realizando paradas para anunciar a defesa das águas e da terra enquanto dons de Deus e denunciar que esses elementos da natureza não são mercadorias. Em uma das paradas, Zenaido Lima, da Emater e agente da Cáritas Diocesana de Luz, defendeu a agroecologia, chamando atenção para o uso indiscriminado de agrotóxico na região. Zenaido destacou a importância da preservação das nascentes, em especial, na Diocese de Luz, onde fica a nascente do Rio São Francisco.

Em outra parada, Padre Tonhão, vigário geral da Diocese de Luz, denunciou a mercantilização da natureza com o crescimento do agronegócio e a expulsão dos camponeses do campo com a expansão e degradação do meio ambiente pelas mineradoras.

Na homilia da celebração, Dom José Aristeu, bispo da Diocese de Luz, afirmou que para acontecer a ecologia integral proposta na Laudato Si, encíclica do Papa Francisco, é preciso que cada criatura gerada por Deus se preocupe com todas as outras formas de vida do planeta  e assuma seu papel na preservação do meio ambiente. “Não existe fé sem obras, por isso os romeiros e as romeiras devem se indignar com o sofrimento da Mãe Terra e da Água, que são bens sagrados, buscando meios de preservá-los”, proclamou Dom José.

Para Jose Carlos Silva, morador de São Roque de Minas, município onde nasce o Rio São Francisco, a Romaria foi um importante momento para mostrar que a Igreja na região está viva e preocupada com vida do São Francisco. “A Romaria traz forças para lutar pela preservação ambiental na nascente do rio”, explica ele.

Romarias das Águas e da Terra em Minas Gerais

Desde 1996, a Romaria das Águas e da Terra é realizada em Minas Gerais como um momento forte de celebração. Ela denuncia a privatização das águas, a concentração da terra, a latifundiarização do Brasil, a falta de reforma agrária, o uso abusivo de agrotóxico e os projetos que destroem a natureza e custam muitas vidas por estarem a serviço do lucro. A romaria anuncia a vitória da vida, a organização do povo e o reencontro com a terra.

A XXI Romaria das Águas e da Terra de Minas Gerais foi promovida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pela Diocese de Luz.

Acompanhe AQUI a cobertura completa da XXI Romaria das Águas e da Terra de Minas Gerais.

Por Rodrigo Pires, secretário executivo da Cáritas Regional Minas Gerais

 

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