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Seminário do PSA aponta caminhos para o avanço da agroecologia

Atividade faz um balanço do Programa de Segurança Alimentar (PSA), que encerra sua execução tendo atendido 4 mil famílias nas áreas de acampamento e pré-assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Minas Gerais.

Produtores sem terra de Minas Gerais se reuniram no último fim de semana, 13 e 14 de abril, para fazer um balanço do Programa de Segurança Alimentar (PSA), que atendeu 4 mil famílias no estado. Aproximadamente 60 representantes das famílias atendidas pelo projeto participaram dos debates. Os temas trataram dos avanços na produção de alimentos agroecológicos, a partir das linhas de produção e dos próximos passos para ampliar este modo de produção no campo.

O programa tem como principal objetivo a produção de alimentos saudáveis e diversificados para o autoconsumo de famílias em situação de insegurança alimentar. Essa produção também possibilitou a comercialização dos excedentes, incluindo as famílias em ações da Economia Popular Solidária, como as feiras livres. Nesta execução do PSA, foram atendidos 55 municípios, onde estão localizados 88 pré-assentamentos e acampamentos da reforma agrária.

As famílias atendidas receberam kits produtivos de apicultura, avicultura, suinocultura, lavoura, horta, campos de sementes e cozinhas comunitárias. Samuel Silva, da coordenação colegiada da Cáritas Regional Minas Gerais explica que “ao invés do Estado dar soluções paliativas, é preciso dar condições para as pessoas produzirem alimentos a partir da terra. Essa é a nossa concepção desde o início, buscar a emancipação”.

Para Letícia Mansur, assessora da Cáritas Minas Gerais e coordenadora do PSA, os kits produtivos são de extrema importância para as famílias no período em que estão acampadas. “Esses kits são responsáveis por enriquecer a alimentação familiar, uma oportunidade única para as famílias beneficiadas. Além de promover uma alimentação boa, o trabalho no cuidado do campo não gera risco à saúde devido a não utilização de venenos”, conta.

O PSA é um programa para a garantia da segurança alimentar e nutricional das famílias que vivem em áreas de acampamentos e pré-assentamentos da reforma agrária em Minas Gerais. O programa é resultado de uma parceria entre Estado, movimentos e organizações da sociedade civil, executado há 18 anos em Minas Gerais através de um processo coletivo de construção a partir das reivindicações dos movimentos sociais de luta pela terra.

Agroecologia e linhas de produção

Além da segurança alimentar, outro desdobramento do PSA foi a doação de alimentos. À exemplo da região do Vale do Rio Doce, em que as famílias passaram a doar ovos ao Lar dos Idosos. Essa prática diz respeito ao que significa agroecologia para o povo Sem Terra. Durante os debates, se destacou que agroecologia vai muito além da produção sem veneno. Trata-se de um modo de vida, a construção de uma nova cultura baseada em valores como a solidariedade e a inserção de todos os sujeitos em sua diversidade.

A dirigente do Setor de Produção do MST em Minas Gerais, Maíra Santiago, abordou as quatro frentes de atuação do setor. Além da agroecologia, existe a comercialização, a cooperação e as linhas produtivas. As linhas produtivas, carro chefe da geração de renda nos assentamento e acampamento do movimento, visam contrapor as cadeias do agronegócio. “Nossas linhas são baseadas gestação de redes de cooperação. O objetivo é expandir a produção de café, leite, hortaliças. Há a previsão de inaugurar três novas agroindústrias, de rapadurinha, cachaça e açúcar mascavo. Além de potencializar a linha de sementes e mudas”, aponta. 

Já a comercialização tem como ações as entregas institucionais para escolas com o PNAE, o fortalecimento dos armazéns do campo e das feiras locais. A frente de cooperação atua na formação para novas formas de organizar o trabalho, seja na preparação da terra, no plantio ou na colheita. O apontamento é que cada regional do movimento tenha a sua cooperativa. Atualmente Minas Gerais possui 4 cooperativas, articuladas pela Concentra (Cooperativa Camponesa Central dos Assentamento de Minas Gerais). Ela destacou também a formação política e a comunicação como atuações transversais ao à produção.

Maíra Santigado analisou o retorno do Brasil ao Mapa da Fome no Mundo. Houve aumento do número de assassinatos por conflitos no campo, só em 2017 foram 70 (dados da Comissão Pastoral da Terra). Este ano, o governo federal já autorizou um pacote com 52 novos agrotóxicos e tenta criminalizar a reforma agrária, aumentando a superexploração e entrega dos bens naturais ao capital internacional.

 “O desafio para a resistência ativa do setor é continuar a produzir alimentos saudáveis, agroecológicos, de forma massiva para a população, além de proteger e recuperar os bens naturais. Os assentamentos precisam ser áreas de resistência contra a privatização das terras conquistadas. Alguns assentados já optaram pelo título da terra e perderam o Pronera ou até mesmo a própria terra, porque havia dívidas com os créditos”.

Por Geanini Hackbardt, da página do MST.
Fotos: Letícia Mansur, assessora da Cáritas Regional Minas Gerais

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